{"id":6559,"date":"2017-11-07T10:00:03","date_gmt":"2017-11-07T09:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/stadtsprachen.de\/?post_type=stsp_text&#038;p=6559"},"modified":"2020-11-29T14:43:15","modified_gmt":"2020-11-29T13:43:15","slug":"helga","status":"publish","type":"stsp_text","link":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/","title":{"rendered":"Helga"},"content":{"rendered":"<p>Ela tinha cabelos compridos, ralos, tingidos de vermelho fogo. Olhos azuis e pequenos. l\u00e1bios finos tamb\u00e9m pintados de vermelho. Usava colares e brincos e pulseiras que n\u00e3o combinavam, uma camiseta justa de polyester que destacava o busto grande. Fedia a cigarro.<\/p>\n<p>Assim que eu chegava no corredor\u00a0 e girava a chave para abrir a porta do meu apartamento, Helga abria sua porta para me cumprimentar e dar alguma bala ou doce pra minha filha, \u00e0s vezes um sorvete.<\/p>\n<p>Quando a outra nen\u00ea nasceu ela pediu para vir visitar. Claro, pode entrar. Quis tirar fotos com a nen\u00ea no colo. Trouxe sua m\u00e1quina fotogr\u00e1fica anal\u00f3gica, modelo do s\u00e9culo passado e fizemos muitas fotos.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o entendia aquela pessoa, mas \u00a0parecia que t\u00ednhamos alguma outra coisa em comum al\u00e9m de morar no mesmo pr\u00e9dio.\u00a0 Al\u00e9m do mais, desde quando precisei entender \u00a0alguma coisa para me interessar por ela? \u00a0Eu gostava de pensar quem essa mulher \u00e9, ou tinha sido, o que tinha feito. Algumas vezes tentei investigar \u00a0seu passado com perguntas, no entanto ela n\u00e3o gostava de falar de si, logo escapava mudando o assunto.<\/p>\n<p>Um dia pediu o n\u00famero de meu telefone. E um dia, com efeito, me telefonou. Do hospital! Helga o que voc\u00ea tem? Um problema na tire\u00f3ide, v\u00e3o me operar. Voc\u00ea pode pegar o correio para mim?<\/p>\n<p>Eu pude.<\/p>\n<p>Ela me agradeceu com um doce da loja russa, que apesar da embalagem encantadora, n\u00e3o consegui comer.<\/p>\n<p>Outro dia quando cheguei em casa, havia um bilhete na minha porta: Quando chegar, toque direto na minha casa, por favor ass. Helga.\u00a0 Assustada apertei logo a campainha, e Helga, numa express\u00e3o de al\u00edvio e satisfa\u00e7\u00e3o, \u00a0me devolveu o chaveiro que eu havia esquecido desde cedo do lado de fora da porta.<\/p>\n<p>Vinte e tr\u00eas de julho era seu anivers\u00e1rio e ela me convidara para sua festa. Eu fui. A sensa\u00e7\u00e3o de estar num lugar equivocado com pessoas equivocadas de algum modo me magnetizou e me divertiu. Eu estava naquela festa e ao mesmo tempo n\u00e3o estava l\u00e1. Salsichas com curry, ketschup, batatas-fritas do pacote, um licor maldito de groselha; essas eram as especiarias da festa de anivers\u00e1rio de Helga.<\/p>\n<p>L\u00e1 conheci duas de suas filhas. Uma trabalhava numa banca de jornal, fumava\u00a0 igual a m\u00e3e. Tinha os dentes podres. A outra se casou pela segunda vez e morava agora num bairro nobre no oeste de Berlim. Me pareceu simp\u00e1tica essa filha, um olhar cansado mas doce e de poucas palavras.<\/p>\n<p>Alguns me perguntavam se havia festas assim l\u00e1 de onde eu vinha. Sim h\u00e1, mas n\u00e3o com uma salsicha t\u00e3o gostosa como esta! respondi, tentando \u00a0agradar e ser lisonjeira, o que dado aos sorrisos que se seguiram, foi logrado.<\/p>\n<p>O sof\u00e1 em forma de L ocupava mais da metade da sala onde eu e os outros convidados\u00a0 divid\u00edamos a fastidiosa tarde quente de ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas dali, do meu canto do sof\u00e1, eu via que Helga estava sendo feliz.<\/p>\n<p>Quando nos mudamos de apartamento a mulher s\u00f3 faltou chorar.\u00a0 Disse-me que nunca teria uma vizinha como eu e pediu-me para n\u00e3o esquec\u00ea-la jamais. Correu e pegou sua caderneta para anotar o dia do meu anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Helga viveu na extinta Alemanha Oriental, era alem\u00e3, mas de certo modo estrangeira como eu. \u00a0S\u00f3 que seu pa\u00eds n\u00e3o existe mais, j\u00e1 o meu&#8230;(deixa pra l\u00e1). Marido? deve ter tido, mas nunca sequer o mencionou, \u00e0s vezes at\u00e9 cheguei a pensar umas hist\u00f3rias tolas por exemplo, que ela matou o marido, ou o dedurou para STASI, ou quem sabe ela teria sido a dedurada, sei l\u00e1&#8230; Eu simplesmente procurava uma explica\u00e7\u00e3o para esse ar clandestino, essa condi\u00e7\u00e3o furtiva que emanava dela, que talvez nem fosse nada.<\/p>\n<p>Na casa nova eu recebia dois cart\u00f5es por ano, no Natal e um no meu anivers\u00e1rio. Meu marido fazia tro\u00e7a: chegou um cart\u00e3o da sua amiga Helga Schwarz!<\/p>\n<p>Da minha parte enviava tr\u00eas: Natal, anivers\u00e1rio e p\u00e1scoa. Eu sabia que Helga adorava p\u00e1scoa, talvez pelos chocolates. E me aprazia esta a\u00e7\u00e3o de ir aos correios comprar um selo para uma carta para Helga, minha ex-vizinha de porta.<\/p>\n<p>Uma tarde em algum novembro escuro quase cheguei a busc\u00e1-la para conhecer meu apartamento novo, mas era justamente o dia que ela esperava a entrega de um m\u00f3vel e n\u00e3o podia sair de casa. N\u00e3o tentei mais uma vez. Continuamos s\u00f3 com os cart\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 que pela primeira vez n\u00e3o recebi nada no meu anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Achei estranho. Duas semanas depois liguei. O n\u00famero n\u00e3o dava mais linha. Suspeito.<\/p>\n<p>Desconfiada e j\u00e1 na pele de uma verdadeira detetive, fui at\u00e9 o antigo pr\u00e9dio no bairro do Meio. Aproveitei que alguem estava saindo e entrei pelos corredores de concreto. No oitavo andar vi policiais falando na porta da casa de Helga. O apartamento estava vazio.<\/p>\n<p>Vim embora muda e com um n\u00f3 na garganta. E n\u00e3o consegui chorar por Helga.<\/p>\n<p>Uma sensa\u00e7\u00e3o de derrota me envolveu. Meus ombros pesaram.<\/p>\n<p>Minha clandestinidade, que era o nosso segredo em comum, falhou.<\/p>\n<p>Depois de um tempo tentei pesquisar alguma coisa \u00a0na internet. \u00a0Sem sucesso, desisti.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei nada mais de Helga, nem se est\u00e1 enterrada.<\/p>\n<p>Mas, de certa forma, n\u00e3o a esque\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela tinha cabelos compridos, ralos, tingidos de vermelho fogo. Olhos azuis e pequenos. l\u00e1bios finos tamb\u00e9m pintados de vermelho. Usava colares e brincos e pulseiras que n\u00e3o combinavam, uma camiseta justa de polyester que destacava o busto grande. Fedia a cigarro. Assim que eu chegava no corredor\u00a0 e girava a chave para abrir a porta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"featured_media":6560,"template":"","categories":[27,10],"class_list":["post-6559","stsp_text","type-stsp_text","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-issue-4","category-prosa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Helga - stadtsprachen<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"de_DE\" \/>\n<meta property=\"og:locale:alternate\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Helga - stadtsprachen\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ela tinha cabelos compridos, ralos, tingidos de vermelho fogo. Olhos azuis e pequenos. l\u00e1bios finos tamb\u00e9m pintados de vermelho. Usava colares e brincos e pulseiras que n\u00e3o combinavam, uma camiseta justa de polyester que destacava o busto grande. Fedia a cigarro. Assim que eu chegava no corredor\u00a0 e girava a chave para abrir a porta [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"stadtsprachen\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Stadtsprachen\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-11-29T13:43:15+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/stadtsprachen.de\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20..jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1920\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1310\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@stadtsprachen\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Gesch\u00e4tzte Lesezeit\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"5\u00a0Minuten\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/\",\"name\":\"Helga - stadtsprachen\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/11\\\/20..jpg\",\"datePublished\":\"2017-11-07T09:00:03+00:00\",\"dateModified\":\"2020-11-29T13:43:15+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"de-DE\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"de-DE\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/11\\\/20..jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/11\\\/20..jpg\",\"width\":1920,\"height\":1310},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/text\\\/helga\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Startseite\",\"item\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Texts\",\"item\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/en\\\/text\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Helga\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/\",\"name\":\"stadtsprachen\",\"description\":\"\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"de-DE\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/#organization\",\"name\":\"stadtsprachen\",\"url\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"de-DE\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/02\\\/cropped-logo_stadtsprachen_taubenblau.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/02\\\/cropped-logo_stadtsprachen_taubenblau.png\",\"width\":512,\"height\":512,\"caption\":\"stadtsprachen\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/stadtsprachen.de\\\/de\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Stadtsprachen\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/stadtsprachen\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/berlinerliterarischeaktion\\\/\",\"https:\\\/\\\/mastodon.social\\\/@BerlinerLiterarischeAktion\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Helga - stadtsprachen","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/","og_locale":"de_DE","og_type":"article","og_title":"Helga - stadtsprachen","og_description":"Ela tinha cabelos compridos, ralos, tingidos de vermelho fogo. Olhos azuis e pequenos. l\u00e1bios finos tamb\u00e9m pintados de vermelho. Usava colares e brincos e pulseiras que n\u00e3o combinavam, uma camiseta justa de polyester que destacava o busto grande. Fedia a cigarro. Assim que eu chegava no corredor\u00a0 e girava a chave para abrir a porta [&hellip;]","og_url":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/","og_site_name":"stadtsprachen","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Stadtsprachen","article_modified_time":"2020-11-29T13:43:15+00:00","og_image":[{"width":1920,"height":1310,"url":"https:\/\/stadtsprachen.de\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20..jpg","type":"image\/jpeg"}],"twitter_card":"summary_large_image","twitter_site":"@stadtsprachen","twitter_misc":{"Gesch\u00e4tzte Lesezeit":"5\u00a0Minuten"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/","url":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/","name":"Helga - stadtsprachen","isPartOf":{"@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/stadtsprachen.de\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20..jpg","datePublished":"2017-11-07T09:00:03+00:00","dateModified":"2020-11-29T13:43:15+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/#breadcrumb"},"inLanguage":"de-DE","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"de-DE","@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/#primaryimage","url":"https:\/\/stadtsprachen.de\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20..jpg","contentUrl":"https:\/\/stadtsprachen.de\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/20..jpg","width":1920,"height":1310},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/text\/helga\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Startseite","item":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Texts","item":"https:\/\/stadtsprachen.de\/en\/text\/"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Helga"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/#website","url":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/","name":"stadtsprachen","description":"","publisher":{"@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"de-DE"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/#organization","name":"stadtsprachen","url":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"de-DE","@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/stadtsprachen.de\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cropped-logo_stadtsprachen_taubenblau.png","contentUrl":"https:\/\/stadtsprachen.de\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cropped-logo_stadtsprachen_taubenblau.png","width":512,"height":512,"caption":"stadtsprachen"},"image":{"@id":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/Stadtsprachen","https:\/\/x.com\/stadtsprachen","https:\/\/www.instagram.com\/berlinerliterarischeaktion\/","https:\/\/mastodon.social\/@BerlinerLiterarischeAktion"]}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/stsp_text\/6559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/stsp_text"}],"about":[{"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/types\/stsp_text"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/stsp_text\/6559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14006,"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/stsp_text\/6559\/revisions\/14006"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/stadtsprachen.de\/de\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}